Salmos (psalmus) é a tradução do termo hebraico que quer dizer LOUVORES. Cânticos destinados principalmente ao uso litúrgico do templo de Jerusalém. O Saltério era o livro de oração dos antigos judeus, tornou-se o deleite espiritual para os cristãos, depois de tê-lo sido para o próprio Jesus Cristo. Os Salmos apresentam uma incomparável profundidade religiosa, "todas as cordas do sentimento religioso são neles dedilhadas". Torna-se, assim, o Saltério, o livro de oração da Igreja e da alma cristã. (Bíblia Sagrada Ave-Maria)
A oração dos Salmos educam para a confiança em Deus, como parte de sua pedagogia onde o Espírito, autor principal da Escritura, prepara desejoso o que há de vir, o tempo do Messias. Os Salmos, a Lei e os Profetas, tecem a liturgia do povo eleito lembrando as bênções divinas e respondendo a estas com louvor e ação de graças. No Saltério a Palavra de Deus se torna Oração do homem. "O mesmo Espírito inspira a obra de Deus e a resposta do homem. Cristo unirá uma e outra. Nele, os Salmos nos ensinam continuamente a orar". (Catecismo da Igreja Católica - CIC)
Cristo está presente nas ações liturgicas para levar a efeito a sua obra de salvação. Assim, é Ele que se oferece em sacrifício, pelo ministério dos sacerdotes, e que se dá como alimento sob as espécies eucarísticas; é Cristo mesmo que batiza; é Ele quem fala quando se lêem as Sagradas Escrituras nas Igrejas; "presente está, finalmente, quando a igreja reza e salmodia...". (CIC, 1088)
A composição e canto dos Salmos, acompanhados por intrumentos musicais nas celebrações litúrgicas, aparecem desde a antiga aliança. "A Igreja continua a desenvolver esta tradição: Recitai 'uns com os outros salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando ao Senhor em vosso coração' (Ef 5,19). 'Quem canta reza duas vezes'". (CIC, 1156)
É certo que desde o começo havia cantores. As festas de Iahweh eram celebradas com danças e coros (Jz 21,19-21; 2Sm 6,5.16). Em Am 5,23, os sacrifícios eram acompanhados de cânticos; o palácio real tinha seus cantores no tempo de Davi, conforme 2Sm 19,36. É evidente também a riqueza religiosa dos salmos, como coleção de cânticos desde Israel. Nos Salmos "o próprio Deus inspirou os sentimentos que seus filhos devem ter a seu respeito e as palavras de que devem servir-se ao se dirigirem a ele. Foram recitados por Jesus e por Maria, pelos Apóstolos e pelos primeiros mártires. A Igreja cristã fez deles, sem alteração, sua prece oficial". O grito de louvor, de súplica e de ação de graças, arrancados dos salmistas diante de suas realidades e experiências pessoais de sua época, tem caráter universal, expressando a atitude que todos devem ter diante de Deus. (Bíblia de jerusalém)
Na Nova Aliança, porém, o sentido se enriquece. O grito de louvor, a súplica, a ação de graças do salmista se tornam mais ardentes, pois a Última Ceia, a Cruz e a Ressureição, o revelaram o infinito amor de Deus, que o resgatou pelo sangue de seu Filho e lhe infundiu seu Santo Espírito. As esperanças cantadas pelo salmista se realizaram. Eis que o Senhor Deus cumpriu sua promessa; o Messias veio, habitou entre nós; vive e reina para sempre e sua glória não terá fim; está entre nós e em nós; e por isso cantamos alegres e fervorosos o seu louvor.
Na celebração da Vigília Pascal, uma das mais belas celebrações de nossa Igreja Católica, entoamos nosso grito de louvor, de súplica e de ação de graças a Deus que enviou o seu Espírito, nos guardou, fez brilhar sua glória, nos livrou, nos encheu de alegria, nos deu Palavras de vida eterna e fez nossa alma suspirar por Ele, como a corça suspira pelas águas.
Na sequência, os sete salmos da Vigília Pascal.
Por Dirceu Duarte






